Artes e acabamentos


Tenho um encantamento pelos ambientes claros e iluminados. As sugestões de Provence com seus brancos românticos e a natureza colorida dão um charme especial na decoração e remetem ao descanso do corpo e ao resgate de nossa paz interior.

sábado, 30 de julho de 2011

PATINA DE DEMOLIÇÃO OU POLICROMIA

Vou confessar uma coisa. Quando a cliente me pediu esse acabamento eu disse...claro, faço sim. Na verdade já tinha visto, mas nunca tinha feito. Aliás isso ocorre de vez enquando. A pessoa chega com a revista na mão e pede: quero desse jeito! ...Na verdade adoro isso. É sempre um desafio e sempre digo que faço sim, embora aquela possa ser a primeira vez. Aí crio o meu próprio jeito de fazer o acabamento de forma profissional. Foi assim que nasceu essa minha técnica. Existem outras formas de fazer mas preferi criar a minha, de acordo com minha experiência. 

Como? CONTA MUITO CONHECER OS MATERIAIS E SABER COMO ELES REAGEM ENTRE SI. Sabendo isso é só por a cabeça para funcionar. Importante também é estar sempre antenada com os lançamentos de materiais profissionais. 
Para o mobiliário, que sofre muito atrito, esse trabalho não pode ser feito com materiais de artesanato. 
 Esses foram os modelos que copiei para criar a técnica.
Não posso ampliar essas fotos pois estão com pigmentação reduzida.


Esse bufet é de uma madeira bastante pesada com essas aplicações imensas em mármore. Quem achou que a patina de demolição não ficaria bem ai junto com o mármore se enganou, acompanhe:

Prepare a madeira como de costume. Primeira coisa que faço é desmontar toda a peça ao máximo que se possibilite. Retiro o verniz de acordo com a dificuldade de sua remoção. Uso removedor tipo pintoff ou lixadeira com lixa  grana 50. Lixo sempre acompanhando os veios da madeira. Depois de tudo bem limpo com um pano suavemente úmido. Caso eu tenha usado removedor químico, tipo pintoff,que é muito forte, faço ainda uma limpeza com aguaras para não deixar resíduos do removedor que poderá danificar o acabamento. Tudo limpo e seco aplico então uma demão rala/diluída de seladora. A seladora impermeabiliza, nivela a madeira e a deixa avivada.

Preparando a tinta:


Tinta pva-látex branca espessada com um pouco de  massa corrida, para todas as cores. Tinja o branco nas cores desejadas. Faço pelo menos  4 cores. O espessamento da tinta é para dar uma ideia melhor de rusticidade, de tinta grossa antiga. 

Os tons usados nestes trabalhos mineiros,são pasteis. Consigo esses tons quebrados usando um pouco de branco misturado ao  marrom, ao branco, ao vermelho ao azul e assim por diante. Muitas vezes uso também o tom creme no lugar do branco, o efeito também é muito bom.  Mais ou menos intensidade na cor se consegue acrescentando mais ou menos branco ou creme. Já quando se mistura a massa com a tinta, essa já fica um pouco quebrada na cor. Então vá dosando a quantidade.

Escolho uma cor e inicio a aplicação com uma espátula. Prefiro espátula pequena de metal que são mais firmes. Sujo o dorso da espátula com a tinta e a  deslizo com o lado da tinta na peça, de forma meio grosseira e no sentido dos veios da madeira. 

Entre as aplicações deixo muitos vãos sem tinta, pois já planejei colocar mais 3 cores. Assim é preciso distribuí-las pela área a ser aplicada. 

Espero a secagem dessa demão de tinta e com  uma lâmina de faca ou estilete raspo parte dessa tinta aplicada. Isso vai deixar essa aplicação arranhada, mais rústica. 

Limpo bem o pó e resíduos e aplico nova demão fina de seladora, sobre todo o trabalho. Essa aplicação serve para onde já existe tinta espatulada a próxima camada de tinta, de outra cor, não tenha aderência total (como fosse uma cera). 

No processo de raspagem, parte da segunda cor será removida com mais facilidade. Siga essa sequência até a última cor a ser aplicada. 

ATENÇÃO: Essas demãos de seladora podem ser excluídas (a menos da primeira sobre a peça na madeira crua) se se fizer um bom planejamento na distribuição das cores. Caso se retire tinta demais ou se coloque de menos, faça um controle visual, olhando a peça de longe e corrija as tintas aplicadas. 

Escolho a segunda cor a ser aplicada e conduzo com o mesmo procedimento até terminar todas as cores. 


Aplique uma camada de cera em pasta incolor ou seu verniz de preferência e a peça está pronta.


Observação importante: Nesse caso para cada área da madeira, usei 2 cores de tinta. Exemplo: no tampo, os recortes superiores de madeira da frente e de trás da peça, usei 2 tonalidades de tinta porém diferentes das aplicadas nas laterais superiores do tampo do lado esquerdo e direito. Isso dá mais harmonia no trabalho. 

Faça acabamento apenas na superfície da madeira, nunca nos recortes. Assim dá melhor ideia que a madeira foi serrada e não há tinta na área de corte. Além do que essas áreas sem tinta formam áreas de "divisão"  entre as cores, dando melhor efeito.


Com o estilete vou  “montando“ as ranhuras das tintas aplicadas, raspando do jeito mais harmonioso e natural de minha preferência.

Nunca use tinta acrílica para fazer esse tipo de pintura pois ela possui acabamento resinado dando menos aderência à tinta que vem depois. 
(Quando tirei essas fotos minha máquina estava com o modo "vivo" para cores, de modo que as cores ficaram parecendo vivas demais aí. Natural é que pareçam esmaecidas,com jeito de velha)

Depois de toda tinta aplicada, vou envelhecer o trabalho, as cores, deixando mais ou menos escuro, de acordo com o gosto. Uso betume diluído em aguaras ou mesmo misturado à cera branca. Quem souber usar o betume a base de água, ótimo. Eu não sei  trabalhar com o solúvel em água, prá mim ele empasta.



Selando:


Se a peça for pequena e de pouco uso/atrito, pode selar com cera em pasta como nesse processo que falei logo acima e lustre depois. Depois de alguns meses repasse a cera para manutenção. É possível que nem precise ser a cera tingida com betume na manutenção bastando a incolor.

Se a peça for sofrer grande atrito, como o tampo de uma mesa,de uma cômoda, de  um balcão ou como no caso desse armário, depois da seladora com betume passo verniz natural acetinado ou fosco, poliuretano suvinil, uma demão apenas. Embora o betume com cera ou aguaras com cera  tenham a mesma base de diluição do verniz (que é o próprio aguarás), o verniz não será suficiente para destruir o envelhecedor aplicado. Se for o fosco, passo cera depois, ela dá brilho acetinado e deixa a peça lisinha. 


Só aplique o verniz depois de tudo seco.

Caso tenham ficado dúvidas me perguntem. Bons trabalhos.




18 comentários:

  1. Celia querida...

    Esta sua postagem/aula veio em ótima hora.
    Ontem passei o dia pintando peças pequenas querendo feitos rústicos. E entre tintas, usava cera.
    Hoje vou usar o selador.

    Peça lindíssima!!
    Parabens!

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  2. Celia que aula
    maravilhosa.
    vc sempre tão bondosa
    nos ensinando suas técnicas
    bjs Edna

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  3. Hi! what a fantastic job! I love it!

    you're invite to my party Step by step on tuesday!

    I hope you!
    HPS!
    xoxo

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  4. Thanks Marina. Thanks again for your nice ideia to Step by step day. I´l tray do be there on time. I´l read how does it works. Xoxo...

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  5. Adorei...seu blog é muito bom parabéns e sua generosidade em compartilhar é melhor ainda.
    Obg

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  6. Adorei...seu blog é muito bom e você é uma pessoa generosa em compartilhar.
    Obg

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  7. beijos Edna, obrigada pela visita. Vc sim sempre tão carinhosa bjsss.

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  8. Belissimo o seu trabalho Celia, estou encantada!! Parabens e que Deus te abençoe mais e mais!! Me ffaça uma visita que vou adorar e aproveitando, to te seguindo!! bejo e tenha uma semana iluminada.
    http://carmen45bos.blogspot.com

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  9. Oi Célia.

    Belíssimo trabalho! Sua explicação ficou ótima, mas como não tenho prática, fiquei com algumas dúvidas. Se vc puder me explicar, agradeço.
    1- para espessar a tinta: qual proporção de massa devo usar? 50% tinta + 50% massa?
    2- depois que eu aplicar a 1a. cor e deixar espaço para as outras cores, devo aplicar uma camadinha fina de seladora, certo? e depois da 2a.cor? tem que reaplicar a seladora a cada nova cor?
    desculpe se as perguntas são básicas, mas é como te disse: não tenho experiência... rsrsrs.
    mais uma vez obrigada e parabéns. Katharina

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  10. Oi Célia!
    Que trabalho lindo! Estava procurando sobre essa técnica que fica igual madeira de demolição e acabei aqui.
    Cada trabalho maravilhoso que vc faz. Fiquei boquiaberta. Parabéns por todos eles.
    Estou pintando meu quarto todo de branco e fiquei mais inspirada vendo suas coisas.
    Por coincidência também sou de jaguar city :)
    Estou há horas vendo sua artes e fiquei com uma grande dúvida: por que vc usa tinta látex e não tinta acrílica?
    Eu tive excesso de chumbo no organismo por causa do látex e a partir disso só uso tinta acrílica pra tudo.

    Dá um pulinho no meu cantinho, ficaria muito feliz com sua visita.

    Beijos

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    1. Oi Gisela, obrigada pela visita e pelo amável comentário. Essas palavras de inventivo sempre me motiva e me deixa feliz. Uso bem pouco látex, mas nunca deixei de usar quando necessário. Nem sabia dessa concentração de chumbo. Fui pesquisar e encontrei informação que hoje as tintas de base já não trazem o chumbo, pois passaram a utilizar bases sintéticas. De qualquer forma agradeço a informação. Há uns 5 anos fiz um estudo no meu organismo e não tinha nada fora das medidas. Mas já faz tempo. Bem o látex tem uma particularidade que permite lixar numa boa, uso muito desgaste nos meus trabalhos. A tinta acrílica por ter a película final impede um bom lixamento. Uso bastante um esmalte a base de água também, semi brilho que posso também lixar com bons resultados e o que mais uso é o fundo branco nivelador que permite um desgaste perfeito. Obrigada por participar da minha página. Com certeza vou te visitar. Super beijo, qualquer dúvida é só perguntar.

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  11. Oi Célia!
    Obrigada pela resposta, pela atenção e pela visita no meu cantinho. Fiquei feliz!
    Realmente, deve ter havido essa mudança nas bases das tintas, pois eu tive esse excesso, que na verdade era de mercúrio, se não me engano. Acho que escrevi errado ali em cima...Eu tive isso já uns 10 anos atrás e como fiquei receosa, eu parei de usar. Hoje as coisas já devem estar bem diferentes né?

    Entendi, sua opção pelo látex e agora fiquei curiosa para usar novamente.
    Tenho uma poltrona que meu marido fez igual aquela da Padaria Berlim sabe? Que fica no ambiente ao lado, nas paredes de vidro? Ele fez uma igual, só que ele tascou um betume nervoso nela e agora está bem desgastada por ter ficado no tempo. Será ela mesma que vou usar para teste dessa sua técnica maravilhosa. Amei!

    Célia, obrigada por sua generosidade.
    Ah, vc viu o site da Vero que coisa preciosa? Ela recicla um monte de coisas...adoro!

    Beijos e já estou com meu rostinho grudado na sua janelinha pra não perder as novidades!

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  12. Célia, eu de novo...desculpe!
    procurei sobre mercúrio em tinta látex e achei esse tópico aqui:
    http://www.rc.unesp.br/ib/biologia/ebpa/arquivos/mercur/m1.htm

    Veja no 5• parágrafo. Não é para assustar não, mas só informar, pois eu errei em falar chumbo no lugar de mercúrio. Mas enfim, fazendo nossos testes de saúde e dando tudo normal é o que importa! =)

    Beijão!!!!

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  13. Amei amiga linda...tirei algumas dúvidas rsrs bjos e Deus te abençoe sempre!!!!!!

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    1. Quem bom amiga, volte sempre que quiser, abraços cheios de inspirações!!!

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  14. Olá Célia.
    Entre uma demão de tinta e outra devo passar uma seladora?
    Parabéns pelo seu trabalho.
    Obrigada. Lúcia

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    1. Lúcia bom dia. Reeditei o texto com sua dúvida no blog. Veja se esclareceu sua pergunta. Senão, retorne por favor. Obrigada.

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